Afinal, tudo tem que ter um início...

Posted by YaSmInI | Posted in | Posted on 21:11






Acordei ás seis e meia da manhã. Os lençóis estavam quentes, e os meus sonhos ainda pairavam sobre meus pensamentos. O dia raiava fora do meu quarto, por isso, me coloquei de pé e fui em direção ao banheiro tomar banho.
Enquanto a água corria sobre meu corpo, toda a minha preguiça e os meus sonhos interrompidos pelo barulho do despertador foram sendo levados para o ralo. Enrolei-me na toalha bordada pela vovó e reparei que tinha esquecido de escovar os dentes.Voltei ao banheiro e  elas voltaram.As imagens do sonho invadiram minha mente numa fração de segundo. Lembrei do garoto que cantava uma música que eu nunca tinha ouvido,de seu violão e da sua voz. No entanto, não conseguia me lembrar de seu rosto.
Dona Alice gritou da cozinha:
- Querida, o café está na mesa.
Vesti minhas roupas com uma dor terrível na cabeça, e fui tomar café no meu recém comprado apartamento. Olhei pela janela e vi que o tempo estava fechado. Não havia sinal de luz solar, e as nuvens anunciavam chuva. Distraidamente acabei derramando café na minha blusa e Dona Alice com olhar de reprovação exortou-me:
- Menina se apresse, são quase sete horas, você vai perder o ônibus.
E como que um trovão no meio de um temporal, a consciência trovejou dentro de mim, me trazendo de volta à realidade. Troquei de blusa, peguei meus livros e nem me dei conta que desci as escadas no escuro. Dei bom dia ao guarda e corri até o ponto.
Encontrei as mesmas pessoas. Era engraçado porque já havia se passado um semestre inteiro e eu as via todas as manhãs. Se fossem pessoas comuns, tudo bem. O que eu não sabia era que essas pessoas dias mais tarde mudariam o curso da minha vida.
A primeira era a senhora de idade avançada, eu imaginava que ela era avó, porque sempre andava com muitos brinquedos, o que eu supunha ser dos seus netos. Ela era de altura mediana, usava uns óculos meio estranhos fundo de garrafas, era gorducha com as bochechas bem rosadas e seus sapatos eram sujos e desgastados. Ela adorava usar cachecol e todas as manhãs ela me perguntava às horas enquanto andava de um lado para o outro sussurrando palavras baixas.
 A outra, era a garota do colégio estadual. Tinha os cabelos ruivos, olhos muito verdes, sempre delineados. Na mão esquerda uma tatuagem com uns dizeres em russo, no pescoço um pentagrama, e nas mãos um livro de capa preta com dizeres vermelho, escrito em aramaico. Eu acho que ela não gostava de mim, porque ela me olhava com olhar fechado todas as vezes que eu chegava ao ponto. E sempre quando eu sentava perto, ela arranjava algum pretexto para sair da minha presença.
A terceira era a mulher esquisita. Eu a tinha apelidado assim, por causa dos seus modos excêntricos. Todos os dias ela tirava de seu bolso uma cartela cheia de cigarros e desesperadamente começava a tragá-los, depois disso, ela juntava os tocos e jogava nos ciclistas que já bem cedo faziam seu percurso na avenida. Ela sempre usava roupas rasgadas, tinha um cheiro ruim, seus olhos sempre avermelhados e amedrontados. De vez em quando ela falava sozinha, sempre chamando pelo nome de um homem. Naquele dia ela estava chorando, e todos no ponto ficaram olhando pra ela.
Para a minha surpresa se aproximou dela a pessoa que mais me intrigava desde a minha chegada naquela cidade.
Ele não era tão alto, usava óculos, sempre de tênis e jeans, tinha um ar intelectual, olhos profundamente escuros, e sempre carregava um monte de livros. No meio dos livros tinha um preto com letras douradas. Sempre me encarava com olhar singelo, mas era muito tímido, por isso logo em seguida desviada o olhar para o horizonte.
Ele tocou o ombro da mulher esquisita e perguntou se podia sentar-se ao seu lado. Ela concordou com um gesto de cabeça. Passaram alguns minutos conversando e ele abriu um de seus livros. O de letras douradas.
Muito curiosa, fui me aproximando mais para saber do que se tratava. E para meu espanto ele estava com uma Bíblia aberta. Uma Bíblia! Quanto fanatismo, pensei. Definitivamente odiava aquele garoto. Além de tudo com aquele olhar angelical. Ele nem sabia o que estava falando. Deus? O que Deus tinha haver com o que aquela mulher estava passando? Quer dizer, onde está Deus?
Meu ônibus havia chegado. Fui para a faculdade pensando naquelas pessoas. Eu nem imaginava que aquela cena ficaria gravada na minha memória por muito tempo.

Comments (3)

Eu amei o texto flor (f)
Comprarei esse seu livro com certeza, e quero dedicatória tbm :p


:*

bom esse livro sera um show.... quero a dedicatoria tambem ta....kkkkk vamos sair e vender nas casas de porta em porta!!!!
bjssss

brigada gente(f)
éé, a gente sai de porta em portaa...quem sabe neh ...hahahaha
(:
beijão à todos

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